quarta-feira, maio 06, 2015

UM CONVESCOTE DIONISÍACO PARA JAMAIS ESQUECER



Eu assumo: Sou quase um tarado sexual. Digo isso com toda a certeza do mundo. E com muito orgulho também.

"Putaria é comigo mesmo", como dizem aqui no Brasil. Mas alto lá, cara-pálida!
Sou antes de mais nada um cavalheiro. Nenhuma das diabinhas que já passaram aqui em minha casa pode afirmar ter sido maltratada de alguma maneira. 

Todas as vezes -- foram poucas -- em que um dos convidados aos "convescotes dionisíacos" que promovo aqui começou a demonstrar ter índole violenta, acabou imediatamente expulso da minha casa. Não tolero perversões violentas e requintes de crueldade em minhas festinhas.

(abro espaço aqui para dizer que todas as Centrais de Atendimento Sexual de Santos que já tive o prazer de testar desde que cheguei de Lisboa são ótimas e estão de parabéns; gostaria muito de poder recomendá-las em meus textos, mas, como prezo muito pela permanência delas no mercado, vejo-me impossibilitado de fazê-lo, o que é uma pena)

Um dia desses, no entanto, ao conversar pelo Skype com Daniel,  -- um velho amigo da Universidade de Brasília, com quem tive a honra de contracenar em orgias espetaculares, divertidíssimas, tanto com mulheres lindas quanto com mulheres horrendas -- fiquei com o receio de não ser apenas o quase-tarado sexual saudável e bem educado que sempre imaginei ser.

É que Daniel descobriu ser um compulsivo sexual. Diante da incapacidade de controlar essa compulsividade, passou a ter problemas sérios tanto em sua vida sexual quanto em sua vida profissional. Suas compulsões o tornavam violento e sem limites. Foi processado pela ex-mulher por agressões físicas, e está proibido de ter contato com suas duas filhas. Foi preso por espancar uma ex-colega de trabalho, que também o processou criminalmente. E, recentemente, foi acusado de cometer assédio sexual não por uma subordinada a ele, mas por sua chefe imediata. Resultado: perdeu seu emprego no Banco Central. 
E está prestes a ser despejado do apartamento funcional que ainda ocupa na 111 Sul. 


Como desgraça pouca é bobagem, em meio a todo este Inferno pessoal, Daniel descobriu ano passado ser portador de uma infecção extremamente incomum no fígado. Esta infecção quase o levou à morte. Sobreviveu num golpe de sorte, 
mas com sequelas complicadas. 

Enquanto convalesce, sofre de várias modalidades de abstinência, sendo sexo a pior delas. Seu desafio agora é aprender a viver sem sexo, já que seu coração ficou fraco e seu organismo não suporta mais a agitação do organismo decorrente do ato sexual. 

Convenhamos: para um compulsivo sexual, nada pode ser mais desesperador.

Para piorar, todos os amigos de Daniel o abandonaram de tempos para cá. 

Todos, menos eu. 

Senti que precisava fazer algo por meu velho amigo e grande companheiro de inúmeros "convescotes dionisíacos". 

Daí, num esforço pessoal para entender melhor como funciona a compulsividade sexual, decidi ingressar, apenas como leitor, em um grupo de compulsivos anônimos pela web, onde as pessoas deixam registradas suas experiências e seus dramas pessoais. A maioria dos depoimentos que li são de pessoas muito sofridas, que não aguentam mais conviver com a compulsão e estão à beira do desespero. 

No entanto, três depoimentos incomuns deixaram-me com a pulga atrás da orelha, e a perguntar a mim mesmo: Seria eu também um Compulsivo Sexual? 
Vou reproduzir os três depoimentos em questão para que vocês, que já me conhecem de outras crônicas, possam me avaliar.

"Desde criança, sempre pensei em sexo. Hoje, sei que tenho compulsão. Tenho uma esposa, mas ela está com depressão e os remédios  inibem a libido. Ela já foi do meio liberal (participava de swing) também, mas saiu há alguns anos. Continuei saindo com casais, sem ela saber, e nunca fico saciado. Penso em sexo 24 horas. Na (última) terça-feira, entrei na internet e gozei quatro vezes. De tarde, um casal ligou me convidando. Fui e transei mais duas vezes. Quando cheguei em casa, ainda me masturbei. Mesmo esgotado, se eu encontrar uma mulher diferente, meu tesão volta com força total. Recentemente, transei com minha coordenadora, no trabalho. Gosto do novo. Já deixei de encontrar uma pessoa que conheci para transar, certo que acabaria no motel, para ir para o Jardim de Alah, pela aventura. Transei com minha vizinha de prédio, com o marido dela assistindo. Numa festa, transei com seis mulheres diferentes. Fiz sexo com pessoas que, depois, não quis ficar perto. Quando tinha 20 anos, uma senhora, no ônibus, deixou o braço bater no meu pênis. Me afastei, ela empurrou de novo. Saímos do ônibus, entramos num hotel e transamos. Depois, queria ir embora, mas não me arrependo, porque deu vontade. Já fui convidado para ir no grupo de apoio, mas gosto de ser assim. Para a sociedade, sou promíscuo, mas faço com responsabilidade." 
(M, 33 anos, empresário)

"Tenho necessidade de sexo para me expressar. Se dependesse só de mim, faria todos os dias, igual a refeição: pelo menos três vezes por dia.  Meu namorado tem vontade, mas tem o estresse do dia a dia, daí não é sempre que ele quer. Se ele me rejeita, fico estressada. Mas, quando ele não quer, faço sozinha. Ele reclama, dizendo que eu quero que ele chegue em casa já de pinto duro. Às vezes, acho que sou o homem da relação. Queria ficar de 22h até 5h da manhã, fazendo direto, mas ele não aguenta. Ele fica cansado, mas, por mim, ficava a noite toda lá. Vejo muito filme pornográfico. Já fiz sexo numa estrada, durante o dia, porque deu vontade. Tenho medo de trair quando estou na necessidade. Acho que tenho um problema, porque parece que só eu sinto isso. Mas não quero procurar tratamento, porque está bom assim." 

(R, 25 anos, arquiteta)


"Sexo, pra mim, é como uma válvula de escape. Descarrego tudo, quando tenho qualquer problema, seja no trabalho, em casa, financeiro... Se saio, não estou atrás de romance. Eu gosto muito da primeira vez, por isso, não gosto de repetir. Gosto de cantar o homem. De uma vez só, já fiz com cinco homens diferentes. Para isso, não fico cansada. Já passei o dia inteiro e a noite num quarto, só transando. Já fiz em banheiro, sem nem saber o nome. Se eu disser que nunca fiz sem camisinha, vou estar mentindo. Um ônibus lotado me excita muito, aquele roçar acidental. Faço com casais, tipo surubão. Já transei no meio da boate, com um cara que tinha acabado de conhecer, fingindo que estava dançando. O perigo é excitante. Quanto mais difícil, melhor. Quero sempre me superar." 

(L, 48 anos, administradora de empresas)

Pergunto novamente: seria eu um compulsivo sexual? 

Se sou, então presumo que deva fazer parte da ala dos que conseguem manter a compulsão sob controle, e dentro das normas da etiqueta e dos bons costumes. 

Sinto que sou como aquelas pessoas que precisam sempre de uma ou duas doses diárias de whisky, ou de um ou dois dry martinis, sempre que chegam em casa do trabalho, e ficam saciados com isso, mas não conseguem viver sem isso diariamente. 

(na verdade, até conseguem, mas sempre à custa de um certo desequilíbrio químico pessoal -- que, no meu caso, jamais levou a qualquer espécie de desequilíbrio em minhas atitudes)

Pois Daniel e eu conversávamos um dia desses sobre os bastidores do poder no Governo Federal, e ele me contou ter mantido um caso por dois anos com uma parlamentar ninfomaníaca que não conseguiu se reeleger nas últimas eleições e está em depressão profunda. Daniel foi visitá-la um dia desses e ela mal o reconheceu. Sua Enfermeira confidenciou que primeiro veio a apatia. Depois, começaram os surtos eventuais, que sempre resultam em tentativas de suicídio, por enquanto mal sucedidas. 

Daniel disse-me ao final deste relato contundente que entende o que ela está passando longe do Poder, pois também não consegue ver o menor sentido em continuar a viver sem seu estimulante favorito. Disse-me ainda que gostaria de morrer em um "convescote dionisíaco" como os que fazíamos, mas infelizmente não tem mais dinheiro para isso, e seu nome está proscrito nos puteiros da Capital Federal. Nenhuma profissional de lá o atende mais.

Foi quando perguntei a ele como reagiria se eu enviasse uma passagem de avião só de ida para São Paulo e garantisse hospedagem em um flat com duas ou três moças à sua inteira disposição durante um fim de semana inteiro, para que ele pudesse fazer as pazes com a vida ou então se despedir da vida com leveza e com muito prazer.

Ele silenciou por cerca de 30 segundos. Então, sorriu e disse que sim. 

Estipulou, no entanto, uma condição: que eu contracenasse com ele nessa último "convescote dionisíaco".

"Pelos velhos tempos", ele disse. 
Comprei a passagem Brasília-São Paulo, reservei um flat em Higienópolis, contratei as moças de acordo com o gosto de Daniel, e então, nessa última sexta-feira, subi a Serra para recepcionar meu velho amigo brasiliense em Congonhas. 

Não nos víamos pessoalmente há 25 anos. Quando desembarcou, achei-o menos envelhecido do que aparentava estar no Skype. Mesmo assim, não parecia ter apenas 55 anos de idade.

Seguimos para o flat para deixarmos as malas. No caminho, passamos pelo Pátio Higienópolis, onde fiz algumas comprinhas para deixar o flat abastecido, e poder matar a fome das meninas sem precisar sair. Ao chegarmos, conversamos durante uma hora e meia, bebemos alguns whiskies, e depois saímos para devorar um fusilli al funghi no Restaurante Jardim di Napoli, que fica bem próximo ao flat. 

De volta ao flat, tomamos mais alguns whiskies enquanto aguardávamos as meninas chegarem. 

E elas chegaram. Lindas, as três. Todas magras, delicadas, com seios naturais 
e quadris nada avantajados, como Daniel havia requisitado. Uma loura, branquinha, com pernas finas e seios fartos chamada Stephanie. Uma ruiva também branquinha e com seios bem pequenos chamada Eva. E uma morena com jeito de menina e seios quase juvenis chamada Marta.
As três mal chegaram, já ficaram nuas, e começaram a entrelaçar seus corpos e suas bocas alí mesmo no tapete da sala, diante de nossos olhos. Um espetáculo absolutamente sublime! 

Depois de 15 minutos observando a travessura das meninas, propus a Daniel que tirássemos nossas roupas e ingressássemos logo na brincadeira, pois as meninas estavam em ponto de bala, e eu também.

Daniel sugeriu que eu fosse na frente. Disse que ainda não estava pronto.

Então eu fui. E enquanto era devorado e sugado até a última gota pelas três diabinhas, meu amigo permanecia sentado em sua poltrona. Não se masturbou em momento algum. Nem tomou a iniciativa de contracenar comigo. Só nos fitava com os olhos. Seu olhar era tão agudo que mal nem piscava. Achei aquilo muito estranho, mas nada pude fazer. Estava completamente rendido e enfeitiçado por aquelas três lindas bruxinhas. Tão jovens, tão sacanas e tão experimentadas...

Duas horas mais adiante, eu estava exausto. e esvaído de todas as minhas forças. Mesmo assim, Stephanie, Eva e Marta não me deixaram dormir. 
Arrastaram-me para o banheiro, adentraram ao box comigo e deram continuidade ao que estavam fazendo antes, só que agora sob a ducha d'água. Não sossegaram enquanto não gozei mais duas vezes. Foi um banho tão longo que me fez pensar no mal que havíamos causado ao Complexo da Cantareira. 

Nos enxugamos uns aos outros e nos deitamos no quarto, desta vez para dormir de verdade. Caí adormecido sem antes falar com Daniel.

Acordei um tanto quanto confuso oito horas depois, enroscado com minhas três lindas ninfas nuas adormecidas. Levantei-me e fui checar onde estava Daniel. Estranhamente, não o encontrei. Como já era manhã de sábado, presumi que ele tivesse seguido para uma caminhada pelo bairro, que é bem pedestre e bem frequentado. Deixei quieto. Haveria muito tempo para que ele pudesse desfrutar bastante das três diabinhas, pois o cachê delas já estava pago e nos dava exclusividade de seus préstimos afetivos até domingo à noite.

Ou seja, tínhamos cerca de 30 horas de muito prazer e muita luxúria pela frente. 
Acordei gentilmente uma por uma das três diabinhas e servi o café da manhã que preparei para elas, com sucos, geléias, frutas, mel, manteiga, requeijão, torradas, paezinhos, croissants, uma tábua de frios, ovos mexidos, leite quente, café e toddynho. Elas três pareciam gatinhas bebês devorando a comida sem etiqueta e sem a menor parcimônia, até se sentirem satisfeitas e sorrirem.

Depois disso, voltamos nós quatro para a cama e recomeçamos nossa brincadeira cativante. As três diabinhas eram incansáveis. Sempre que percebiam que eu estava cansado e necessitando dar uma paradinha para respirar, prosseguiam brincando entre elas mesmas e posando e sensualizando só para mim. Eu estava no paraíso, e sabia disso!. 

Ao meio dia paramos um pouco com a brincadeira. Pensei no sumiço prolongado de Daniel. Já era para ele ter voltado. Peguei meu telefone celular e liguei para ele. Para minha surpresa, o telefone tocou a poucos metros de mim. Aparentemente abandonado entre as almofadas do sofá, Foi quando a ficha caiu: Daniel não iria voltar. Optou por simplesmente desaparecer do mapa. E não queria ser perturbado. Liguei na portaria do flat. Daniel havia deixado uma mensagem, que o porteiro enviou pelo elevador. 

Dizia: "Continue em frente, Mané. Divirta-se por mim com essas três gracinhas. 
Obrigado pela doce eutanásia que você me ofereceu. Não considere meu sumiço uma desfeita. Eu apenas não me julguei merecedor de tamanha gentileza. Até algum dia".

Fiquei chocado. Estava pronto para proporcionar uma espécie de eutanásia para meu velho amigo, mas definitivamente não estava preparado para isto.
   
Voltei para o flat e para as meninas, que já estavam nuas e a postos novamente. Disse a elas que meu amigo não voltaria mais, pois teve que voltar para Brasília, e que seríamos apenas nós quatro ao longo de todo o fim de semana. Elas disseram que nunca haviam devorado um português tão distinto e tão safado e tão generoso e tão carinhoso quanto eu. Fiquei completamente envaidecido e novamente exitado. Tomamos um novo banho coletivo, e depois as levei para almoçar no buffet do Benjamin Abrahão da Rua Maranhão.

Elas adoraram. 

A seguir, ingressamos em uma matinée de "Cinquenta Tons de Cinza" em uma Sala de Cinema no Pátio Higienópolis. 

As três tinham lido o livro. 

Eu não. 

Acharam o filme tão bobo e sem graça que me arrastaram para fora da sala antes mesmo do final da sessão e voltamos rapidamente ao nosso flat 
para mais sexo, mais sexo, e mais sexo.
À noite, quando a fome chegou novamente, pedimos pizzas do Jardim di Napoli pelo delivery mesmo. 

Derrubamos nada menos que 6 garrafas de um Malbec Susana Craos Bilbo, bem suave, bem ao gosto feminino

Com direito a sugar gota por gota nos pequenos vales dos corpos claros e encharcados das minhas três adoráveis diabinhas. 
Depois da Farra de Baco, um novo banho coletivo antes de dormir, e lá fui eu me enroscar novamente nos corpos rijos e simplesmente espetaculares das minhas lindas bruxinhas bêbadas. Acordamos no domingo sem a menor ressaca, o que atesta a qualidade do vinho.

Preparei o café da manhã para elas, um replay do desejum do dia anterior. 

Pensei comigo mesmo: acho que vou querer repetir a experiência com essas mesmas meninas em breve. Não só pelo prazer que elas me proporcionam, mas também como um tributo ao Daniel. Só que, da próxima vez, não vai ser aqui e sim no meu apartamento na praia, em Santos, mil vezes mais confortável que este flat.
Saímos para almoçar. Levei-as ao Jardim Di Napoli. Elas enlouqueceram com as massas e o Polpettone. Minhas diabinhas eram todas carnívoras, e estavam com fome. Trabalharam duro nas últimas 36 horas. Bebemos duas garrafas de um Chianti delicioso. Depois caminhamos pelo bairro. Comprei solidéus e quipás para nós quatro, e voltamos para o flat para nossas últimas horas juntos. 

Às oito da noite elas se despediram deste fidalgo putanheiro português de meia idade. Prometi contactá-las de novo em breve para um novo "convescote dionisíaco"

Desci a Serra feliz na volta para Santos. Só lamentei que Daniel não tivesse optado por morrer enroscado naquelas diabinhas lindas. Eu morreria feliz enroscado nelas...

Deixo aqui a minha prece: Que Deus abençoe e proteja todos os tarados sexuais, putanheiros, compulsivos por sexo e pervertidos sexuais em geral deste imenso Brasil.


  
Eu, Manuel Mann, 55 anos,
  dedico esta crônica libertina
 à atriz Karen Black, 
a primeira mulher que vi nua
numa tela de cinema,
 provocando um impacto profundo
 na minha psiqué. 
Karen faleceu em Agosto de 2013.
A ela, só me resta dizer
"Obrigado Por Tudo" e
"Foi Um Imenso Prazer"









MEU REDESCOBRIMENTO DO BRASIL



Em meus primeiros sete anos de vida, vivi em alguns dos lugares mais inóspitos do Planeta. 

Restaram poucas lembranças agradáveis dassa época. Lembro-me de brincar com crianças negras na África, e de ser o único branco em todo o grupo. Lembro-me também de "cavalgar" um camelo no Cairo, e de comer frutas muito estranhas na Indonésia. E como esquecer do tigre que vi perto de onde morávamos em Cingapura -- isso no início dos Anos 1970, muito antes de Cingapura ser o Centro Empresarial que é hoje. 

Sou filho de diplomatas. Meu pai é alemão. Minha mãe, portuguesa. Dele, herdei uma atitude um tanto quanto empírica perante a vida. Dela, herdei o hedonismo, a busca incessante pelo prazer. Não tenho a menor dúvida de que carrego comigo cinquenta por cento do "mojo" de cada um deles perfeitamente conjugados na minha personalidade. Eles, no entanto, nunca conseguiram combinar essas diferenças. Consequentemente, jamais foram felizes juntos. 

Quando optaram pela separação, eu tinha 7 anos de idade, e minha guarda ficou com minha mãe, que decidiu voltar para Lisboa. Graças à atitude dela, estudei em algumas das melhores escolas da cidade, e não em escolas duvidosas em algum canto obscuro do mundo. Tive uma infância e uma adolescência privilegiadas. 

As primeiras mulheres da minha vida foram maravilhosas, cada uma à sua maneira. Ensinaram-me tudo o que um homem precisava saber. Eu procurei ser um aluno bem aplicado e atencioso. Aos 16 anos, já tinha consciência que o sexo feminino não era mais um mistério para mim. Em muito pouco tempo, eu conseguia descobrir como cada uma delas funcionava e quais eram seus anseios -- e então, já concluía qual deveria ser o meu papel nas vidas delas. Me afeiçoei a algumas mais do que a outras, mas sempre mantive a paixão sob controle, deixando que elas se sentissem livres para entrar e sair da minha vida quando bem quisessem. Nunca fui possessivo em relação a qualquer uma delas. Graças a tamanha disciplina sentimental, passei minha juventude sem saber ao certo o que é uma decepção amorosa.
Em 1978, minha mãe foi transferida para a Embaixada de Portugal no Brasil, e eu a acompanhei. Usufruí por uns bons anos da Universidade de Brasília (foto acima), onde cursei Relações Exteriores e Jornalismo. Tecnicamente falando, levei tempo demais para me formar. Mas a verdade é que eu não tinha a menor pressa em ir embora da UnB. Sabia bem que o que me esperava no mercado de trabalho seria infinitamente menos interessante do que o que tinha por lá. 

A UnB era uma festa. Confesso que nunca tive muita paciência com as mulheres do curso de Jornalismo, quase todas politizadas demais e pretensamente maduras. Já no curso de Relações Internacionais era tudo bem diferente. Havia um exército de jovens mulheres sedentas por muita safadeza e muitos rapazes que, apesar de também sedentos por safadeza, eram avessos a mulheres. 

Eu era um dos poucos a apreciar tanto as jovens mulheres em questão quanto a cartilha de sacanagem na qual elas queriam ser iniciadas. Resultado: "passei o rodo na mulherada", como dizem aqui no Brasil. Aconteceu naturalmente, sem que eu precisasse sequer me esforçar. Nunca o sexo foi tão fácil. Era como pescar com dinamite. Eu era feliz, estava no paraíso e tinha plena consciência disso.
Mas então, chegou um momento em que a brincadeira acabou e não tive outra alternativa senão me formar. Fui trabalhar na Assessoria de Imprensa da Embaixada de Portugal (foto acima), um dos ofícios mais brochantes que um recém-formado pode pegar pela frente. Nada para fazer, nenhuma pessoa interessante o suficiente para conversar -- a não ser por minha mãe. As mulheres de lá eram horrendas, uma mais desinteressante que a outra, e o ambiente insuportavelmente formal, quase fúnebre, do início ao fim do expediente. Nos vários anos em que trabalhei lá, não lembro de um único dia em que tenha saído de casa com prazer de desempenhar minha função. O jeito era ler, e ler, e ler. Eu lia de tudo, o dia inteiro, para que o tempo passasse mais rápido. 

Bastava eu colocar os pés para fora da Embaixada no final da tarde para que a festa começasse. E assim seguia até tarde da noite, ou bem cedo do dia seguinte. Grandes bebedeiras. Excessos de todos os tipos. Surubas memoráveis com mulheres espetaculares. Se tem uma coisa que as pessoas levaram a sério em Brasília é putaria.
Assim como meus antepassados portugueses e meus antepassados alemães, sempre tive um apego todo especial por mulheres da raça negra. 

Todas as minhas namoradas entre 1986 e 1990 eram negras, ou mulatas, e trabalhavam em Embaixadas Africanas ou no Itamaraty. Não me lembro de ter me envolvido com uma única mulher de pele clara nesse período. Foi como se eu estivesse a passar a limpo todas as lembranças desagradáveis que ainda guardava da minha infância na África. 

Vivi em Brasília até o ano de 1990. Gostava e, ao mesmo tempo, não gostava de lá. É uma cidade cosmopolita, com gente de todos os cantos do mundo -- mas, paralelamente a isso, é provinciana, isolada do resto do país, comandada por uma elite que está sempre no Poder, seja lá quem tiver sido eleito. 

Daí, quando minha mãe decidiu casar-se novamente com um médico da cidade e fixar raízes por lá, eu senti que aquela era a deixa para desgarrar-me dela e voltar para Portugal. 

Pois foi o que fiz.
Já em Lisboa, desisti definitivamente de seguir Carreira Diplomática. Mas não me afastei por completo da Diplomacia. Passei os últimos 25 anos a trabalhar como Diretor Executivo em diversas publicações em Lisboa. 

Por ser poliglota, transitei por várias publicações internacionais com filiais na cidade. Raramente escrevia para essas publicações. Meu papel era sempre cuidar das relações com a Matriz, facilitar as relações com o Governo e zelar pelos interesses dos leitores. 

Em algumas publicações foi mais fácil conjugar tudo isso. Em outras, mais difícil. Mas eu sempre procurei utilizar todos os meus conhecimentos para que tudo desse certo no final das contas. 

Fiz inúmeros inimigos no meio. Foi inevitável. Mas cumpri meu papel. 

Como detinha poder e era solteiro, sempre tive as mulheres mais vistosas ao meu redor. Bastava escolher a que eu quisesse naquele dia e levar para casa, ou para qualquer lugar.
Um belo dia, no escritório londrino da National Geographic, conheci uma fotógrafa exuberante chamada Margaret. Fiquei fascinado por ela logo de imediato. 

Em menos de um dia, eu já tinha certeza absoluta de que queria passar o resto de minha vida ao lado dela. 

Nos casamos em menos de um mês. 

Não tivemos filhos. 

Nosso casamento durou quase 20 anos. 

Terminou no início do ano passado, quando ela me repentinamente me trocou por uma outra mulher: inglesa, negra, que trabalha como road manager nas tournées dos Rolling Stones.
Essa rejeição me deixou absolutamente confuso, até porque coincidiu com o fim da edição portuguesa de uma publicação internacional, que eu dirigia. 

Fiquei totalmente sem rumo. 

Pela primeira vez na vida, eu havia perdido o chão por causa de uma mulher. 

Me senti fraco, como nunca havia me sentido antes. 

Então decidi viajar em férias, sozinho, pela primeira vez em 22 anos. 

Custei um pouco a relembrar como eu fazia esse tipo de coisa quando era mais jovem, mas logo achei um ponto de fuga. 

Circulei por várias capitais europeias durante 4 semanas. De dia, passeava pelas cidades. À noite, dormia sempre ao lado de uma acompanhante indicada pelos funcionários do hotel onde estivesse hospedado. Foram 28 mulheres diferentes ao longo de um mês inteiro, todas belas, delicadas, atenciosas, criativas e prestativas, cada uma à sua maneira. Minha esperança era de que o convívio íntimo com mulheres muito diferentes umas das outras ajudasse a me recompor. 

E funcionou. 

Ao final deste mês solto pela Europa, eu já me sentia pronto para outra.
Foi quando encontrei em Lisboa um empresário brasileiro amigo dos tempos sentia da UnB fez-me um convite para gerenciar suas empresas em Santos, São Paulo, e eu aceitei. Mudei-me pouco antes do Natal de 2014, e me ambientei na cidade rapidamente. Aluguei um apartamento bem amplo defronte ao mar e comprei uma cachorrinha. O nome dela é Lisa. 

Passear com uma cachorrinha pela praia facilita muito a aproximação com mulheres. O curioso é que você nem precisa abordá-las, elas abordam você, usando a cachorrinha como pretexto. Em Lisboa não é assim. Todos são extremamente reservados por lá. Ponto para o Brasil.

Com a ajuda preciosa de Lisa, andei "pegando", como dizem por aqui, algumas mulheres muito interessantes neste último Verão. Mulheres bem fogosas, diga-se de passagem. Fico a imaginar se são assim o ano inteiro, ou apenas durante o Verão. Eu agradeço a elas pelas boas vindas que recebi.

Fica a indicação: Todo homem solteiro no Brasil necessita de um cachorrinho bem apessoado para levar para passear nos finais de tarde, quando as mulheres saem das Academias de Ginástica ou vão exibir seus corpos sarados em corridas nos jardins da praia. Para "pegar mulher", cachorrinho é um facilitador e tanto. 
E então, nesses feriados de Carnaval, lembrei-me dos tempos em que só namorava afrodescendentes, e pensei: Por que não promover um baile de Carnaval em minha casa, repleto de negras e mulatas? 

Liguei para um número recomendado por um conhecido, e -- em homenagem a minha ex-mulher Margaret -- encomendei nada menos que cinco negras e morenas que fossem bissexuais e que permanecessem à minha inteira disposição durante todo o Carnaval, de sábado até terça. 

Acertamos os valores, e elas chegaram prontamente: lascivas, insinuantes, selvagens, vulcânicas, gostosíssimas, maravilhosas... 

Havia um pequeno porém, com o qual eu concordei de imediato: todas as cinco vieram com a condição de poderem escapar estrategicamente por algumas horas para participar dos desfiles na Passarela do Samba aqui em Santos. Júnia e Irene (quarta e quinta da esquerda para a direita) desfilaram no Domingo à noite. Já Kelly, Kimberly e Emmanuellen (as três primeiras da esquerda para a direita) desfilaram na Segunda.


Em momento algum, elas permitiram que ficássemos sem assistência, ou mal assistidos. Pelo contrário: sempre que retornavam da Passarela do Samba, seus ânimos pareciam redobrados. Impressionante a vitalidade dessas moças. Orgulho da Raça.
Liguei para dois novos amigos que fiz na cidade e os convidei para participar do Baile de Carnaval. Em seguida, contratei um chef de cozinha para nos manter alimentados e um DJ especializado em samba e salsa para colocar molho na festa. E o inevitável aconteceu: a certa altura do campeonato, tanto o chef quanto o DJ decidiram ingressar na suruba também, rendendo-se ao verdadeiro espírito do Carnaval. Quase não dormi esses dias todos.

Foi um Carnaval inesquecível. Pena não poder publicar as fotos e os filmes aqui. Na próxima crônica prometo falar um pouco de nossas aventuras gastronômicas nesse Carnaval, realizadas entre uma sessão de sexo grupal e outra. Hoje, eu já falei muito mais do que deveria. Não quero ser um chato falastrão. 

Se nada atrapalhar, espero que doravante minha vida seja sempre assim. É como deve ser. Nenhum de nós se machuca no final, e todos se divertem para valer.


Obrigado pela acolhida, Brasil, neste "Second Time Around". 

Obrigado, Santos, por suas mulheres fornidas e dadivosas. 

Vinde a mim as negras, mulatas, loiras, morenas, ruivas e japinhas.





Eu, Manuel Mann, 55 anos,
  dedico esta crônica libertina
 à atriz Monica Belllucci, 
que acaba de ser anunciada
 como a primeira bond-girl
 com 50 anos de idade,
 e que irá contracenar com Daniel Craig
 em "007 vs SPECTRE",
 com estréia marcada  para Outubro de 2015.